O fone de ouvido virou companhia para trabalhar, treinar, assistir a vídeos e até pegar no sono. Porém, cuidar da saúde auditiva envolve mais do que simplesmente abaixar o volume. O tempo de uso, a higiene, a umidade e até o hábito de dormir com o acessório também merecem atenção.
Segundo o otorrinolaringologista Bruno Borges de Carvalho Barros, a intensidade e a duração do som caminham juntas. Isso significa que um volume aparentemente confortável pode representar uma exposição relevante quando permanece ligado durante muitas horas todos os dias.
O cuidado precisa ser ainda maior ao dormir de fone. Manter o áudio durante parte ou toda a noite acrescenta várias horas à exposição acumulada durante o dia. Por isso, o médico recomenda observar não apenas o volume, mas também por quanto tempo e com que frequência o acessório permanece em uso.
Dormir de fone de ouvido faz mal?
O problema de dormir de fone não se limita ao som. O acessório também permanece em contato com a pele do canal auditivo por um período prolongado, o que pode dificultar a ventilação da região.
Calor, suor e uso contínuo favorecem um ambiente úmido e aumentam o atrito. De acordo com Bruno, dor, coceira, secreção ou sensação persistente de ouvido tampado não devem ser encaradas como consequências normais do uso.
A higiene também entra nessa conta. Como o dispositivo passa por mãos, bolsos, bolsas e mesas antes de voltar ao ouvido, o especialista orienta higienizá-lo conforme as recomendações do fabricante, evitar compartilhá-lo e esperar o equipamento secar após exercícios ou uso prolongado.
Como usar fone de ouvido sem descuidar da saúde auditiva?
Alguns hábitos simples ajudam a reduzir a exposição acumulada e tornam o uso mais equilibrado:
Observe o tempo de uso: muitas horas consecutivas aumentam a exposição sonora mesmo quando o volume não parece alto.
Evite competir com o barulho externo: em ônibus, metrôs e academias, é comum elevar o volume sem perceber.
Acompanhe os alertas do celular: alguns aparelhos informam quando a exposição ao som está elevada ou permitem limitar o volume máximo.
Dê intervalos aos ouvidos: pausas reduzem o tempo contínuo de contato com o dispositivo e ajudam a evitar abafamento e umidade.
Mantenha o acessório seco e limpo: esse cuidado contribui para preservar a pele do canal auditivo.
Fone de ouvido por muitas horas pode afetar a audição mesmo com volume moderado – Crédito: FreePik
Essas medidas fazem parte dos cuidados cotidianos com a saúde auditiva, principalmente para quem utiliza dispositivos de áudio durante grande parte do dia.
Quais sinais podem indicar perda auditiva pelo uso de fones?
A perda auditiva pode começar com sinais discretos. A necessidade de aumentar progressivamente o volume, a dificuldade para entender conversas em ambientes barulhentos, o ouvido abafado após longos períodos de uso e o zumbido depois de retirar os fones merecem atenção.
O especialista reforça que a prevenção deve começar antes de uma perda auditiva importante aparecer. Afinal, quem hoje utiliza fones diariamente provavelmente continuará recorrendo a esses dispositivos por muitas décadas.
Resumo: O uso prolongado de fone de ouvido aumenta a exposição sonora acumulada e pode favorecer irritações no canal auditivo. Dormir com o acessório acrescenta horas de uso e pode dificultar a ventilação da região. Zumbido, ouvido abafado e necessidade de elevar o volume merecem atenção. Higiene, pausas e controle da intensidade ajudam a preservar a saúde auditiva.
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