Após 20 anos de espera, a inauguração do Guggenheim de Abu Dhabi finalmente ganhou uma data na agenda: se nenhum outro atraso pintar nos meses finais do empreendimento, 11 de dezembro é o dia em que o projeto de Frank Gehry – que também assina o famoso Guggenheim de Bilbao, na Espanha – estará inteiramente aberto ao público.
O novo e aguardado museu fica na Ilha Saadiyat e compõe o distrito cultural da região ao lado do Louvre Abu Dhabi, do Museu Nacional Zayed e o teamLab Phenomena.
O projeto, que custou cerca de US$ 1 bilhão, foi anunciado pela primeira vez em 2006 e teve inúmeros percalços até a sua conclusão programada, duas décadas depois: de crises econômicas à pandemia, a obra inicialmente prevista para 2011 teve a entrega sucessivamente adiada.
A previsão para dezembro de 2026 foi feita no final de julho, agora com um tom mais definitivo: a promessa veio do próprio Departamento de Cultura e Turismo de Abu Dhabi.
Detalhe do Guggenheim Abu Dhabi, com o cone mais alto se erguendo a 88 metros do chãoCortesia Guggenheim Abu Dhabi/Divulgação
O prédio foi construído a partir de estruturas geométricas: com bulbos, cones e cilindros. Este é um dos últimos projetos de Frank Gehry, que faleceu no ano passado. A fachada do prédio em Abu Dhabi é formada por nove cones metálicos, sendo um deles revestido por ônix e vidro, que se elevam 88 metros acima do átrio central da construção. Para além da estética, o desenho do museu cria um sistema de ventilação natural, pensado como uma resposta ecológica ao clima desértico dos Emirados Árabes.
O que esperar do museu
Os 11.600 metros quadrados de espaço interno do museu serão divididos em 30 galerias que abrigarão uma coleção permanente de mais de 600 obras. A demora na construção do museu deu aos curadores tempo de sobra para montar o acervo, que vem sendo adquirido pela Fundação Guggenheim desde 2009 e já chegou a ser exibido em outros museus da rede.
A proposta curatorial busca dar destaque a artistas do Oriente Médio, do restante da Ásia e demais regiões que costumam ficar de fora da história da arte europeia. Com obras datadas a partir de 1960, a coleção do Guggenheim Abu Dhabi é organizada por temáticas como Abstração, Cultura Popular, Linguagens e Narrativas.
Detalhe do Guggenheim Abu Dhabi com a cidade ao fundoCortesia Guggenheim Abu Dhabi/Divulgação
Em 2014, foi realizada a mostra prévia “Seeing Through the Light: Selections From the Guggenheim Abu Dhabi Collection”, que deu um gostinho do que será o acervo do museu. Entre os principais artistas participantes estão: Yayoi Kusama, Dan Flavin, Monir Shahroudy Farmanfarmaian e Bharti Kher.
A fundação Guggenheim
O Guggenheim Abu Dhabi integra os museus administrados pela Fundação Solomon R. Guggenheim, que nasceu da coleção particular do empresário americano que dá nome à instituição e aos museus vinculados a ela, começando pelo Guggenheim de Nova York. O famoso edifício em espiral foi projetado pelo arquiteto Frank Lloyd Wright e inaugurado em 1959.
Aberto em 1997, Guggenheim de Bilbao vai ser desbancado pela sede dos Emirados Árabes como maior museu vinculado à fundaçãoJorge Fernández Salas/Unsplash
Com o passar do tempo, a fundação se expandiu e construiu sedes em diferentes cidades e países. O Guggenheim de Veneza se somou ao grupo em 1980, absorvendo o acervo pessoal de Peggy Guggenheim, sobrinha de Solomon, que já exibia sua coleção pessoal no local sazonalmente desde 1951.
Em 1997, foi inaugurado o Guggenheim Bilbao, na Espanha. O museu de Frank Gehry se tornou símbolo da arquitetura contemporânea e abriga obras de artistas espanhóis e internacionais. O Guggenheim Abu Dhabi se junta às demais unidades em dezembro, desbancando o Bilbao como o maior museu da fundação.
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