Tem gente que espirra uma vez e pronto. Outras pessoas começam com um espirro e, quando percebem, já foram cinco, seis, dez seguidos. Para algumas, basta acordar, abrir uma janela, entrar em um ambiente com ar-condicionado, mexer em uma roupa guardada ou começar a limpar a casa para surgir uma verdadeira crise.
Mas espirrar várias vezes seguidas significa que existe algum problema? A resposta não está exatamente na quantidade de espirros, mas na frequência com que isso acontece, nas situações que desencadeiam as crises e nos outros sintomas que aparecem junto.
Não existe um número exato a partir do qual podemos dizer que uma pessoa tem uma doença. Espirrar dez vezes seguidas pode chamar atenção, mas esse dado, isoladamente, diz muito pouco. É preciso entender o contexto.
Afinal, por que espirramos?
Antes de associarmos o espirro imediatamente à gripe ou à alergia, é importante entender que ele é, antes de tudo, um mecanismo de defesa do nosso organismo.
O interior do nariz é revestido por uma mucosa bastante sensível. Quando partículas ou substâncias irritantes entram em contato com essa região, terminações nervosas podem ser estimuladas. Essa informação chega ao sistema nervoso e desencadeia uma resposta automática, com uma inspiração seguida por uma expulsão rápida e intensa de ar pelo nariz e pela boca.
É como se o organismo identificasse que existe alguma coisa incomodando aquela região e tentasse expulsá-la.
Poeira, ácaros, pólen, fumaça, poluição e diversas outras substâncias podem provocar essa reação. E ela é involuntária: quando percebemos que vamos espirrar, o reflexo já está acontecendo.
É também por isso que tentar segurar um espirro pode ser bastante desconfortável. O organismo iniciou uma resposta destinada justamente a expelir o ar.
Por que algumas pessoas espirram uma vez e outras dez?
Cada nariz responde de uma maneira.
A sensibilidade da mucosa nasal varia entre as pessoas. Quem apresenta rinite, por exemplo, pode ter uma resposta muito mais intensa diante de determinados estímulos. Além disso, quando o agente irritante permanece no ambiente ou em contato com a mucosa, novos espirros podem acontecer em sequência.
Portanto, não existe uma regra segundo a qual um espirro seria normal e dez indicariam uma doença.
Algumas pessoas apresentam naturalmente espirros em sequência. O que merece atenção é quando essas crises começam a acontecer frequentemente, principalmente se vierem acompanhadas de outros sintomas.
Poeira, ácaros, pólen, pelos de animais, fumaça, poluição e perfumes intensos estão entre os possíveis desencadeadores de sintomas nasais em pessoas mais sensíveis. Mudanças de temperatura também podem provocar sintomas em determinados indivíduos.
E há um ponto importante: nem todo espirro é alergia. Irritações da mucosa e outros tipos de rinite também podem provocar crises. Por isso, olhar apenas para o espirro não é suficiente para estabelecer a causa.
Quando os espirros podem indicar rinite?
Mais importante do que contar quantas vezes você espirrou é prestar atenção ao conjunto dos sintomas.
Crises recorrentes de espirros acompanhadas de coceira no nariz, coriza aquosa, obstrução nasal e, em alguns casos, coceira ou lacrimejamento dos olhos podem estar relacionadas à rinite alérgica.
Também vale observar quando esses sintomas aparecem.
Você começa a espirrar quando limpa a casa? Quando entra em contato com poeira? Ao mexer em roupas que ficaram muito tempo guardadas? Sempre que acorda? Ao dormir em determinado quarto? Em alguma época específica do ano?
Identificar esse padrão pode trazer informações importantes para a investigação.
Quando os episódios são repetitivos e começam a prejudicar o sono, o trabalho, a concentração ou atividades do dia a dia, não faz sentido simplesmente se acostumar a viver espirrando. Precisamos entender o que está provocando o sintoma.
É rinite ou gripe?
Essa é outra confusão bastante comum no consultório.
Infecções respiratórias também podem provocar espirros e sintomas nasais, mas geralmente apresentam uma evolução e um conjunto de manifestações diferentes. Dependendo da infecção, podem surgir dor de garganta, tosse, mal-estar, febre e outros sintomas.
Na rinite alérgica, por outro lado, costumam ganhar destaque a coceira, os espirros em sequência, a coriza clara e a obstrução nasal.
Um erro frequente é considerar todo nariz escorrendo como gripe ou todo nariz entupido como sinusite. Sintomas semelhantes podem ter causas diferentes e, consequentemente, exigir abordagens diferentes.
É possível diminuir as crises?
O primeiro passo é tentar identificar os possíveis gatilhos.
Quando existe suspeita de rinite alérgica, medidas de controle ambiental podem fazer parte dos cuidados, principalmente diante da exposição à poeira e aos ácaros.
Manter os ambientes ventilados, diminuir o acúmulo de poeira, higienizar adequadamente roupas de cama e reduzir a exposição a gatilhos já identificados são medidas que podem ajudar. A lavagem nasal com solução salina também pode ser recomendada em diferentes situações, desde que seja realizada corretamente.
Quando as crises são frequentes, no entanto, a avaliação médica é importante para determinar a causa e verificar se há necessidade de um tratamento específico.
No fim das contas, não precisamos viver contando cada espirro. Precisamos observar o padrão.
Espirrar várias vezes diante de uma situação específica pode acontecer. Mas espirrar todos os dias, acordar frequentemente com o nariz obstruído ou conviver constantemente com coceira e coriza são sinais que merecem investigação.





