Responder mensagens, acompanhar as redes sociais ou assistir a vídeos antes de dormir são hábitos que fazem parte da rotina de muita gente. O problema é que algumas posições que adotamos nesses momentos podem sobrecarregar os braços sem que a gente perceba.
E não é só o pescoço que merece atenção! A dor nas mãos, o formigamento nos dedos e o desconforto nos cotovelos também podem ter relação com a maneira como seguramos o aparelho. Pesquisas recentes ajudam a entender por que esses sinais não devem passar despercebidos.
Dor nas mãos e cotovelos pode ter relação com o celular
Um estudo publicado em agosto de 2026 avaliou 262 adultos, entre 19 e 44 anos, e encontrou um dado interessante: 51,1% relataram problemas musculoesqueléticos nos punhos ou nas mãos no período de 12 meses. Outros 34% mencionaram problemas nos cotovelos.
Os pesquisadores também identificaram uma associação entre a dependência do smartphone e problemas nessas regiões. Isso não significa, porém, que o aparelho, sozinho, tenha causado diretamente os sintomas, já que o estudo não permite estabelecer uma relação de causa e efeito.
Segundo o ortopedista Rodrigo Nascimento, a preocupação envolve principalmente a repetição de movimentos e a permanência em determinadas posições.
“O celular não deve ser tratado como um vilão isolado. O que merece atenção é a forma como utilizamos o aparelho. Permanecer por muito tempo com o cotovelo dobrado, apoiar a região em superfícies rígidas ou manter o punho em uma posição inadequada pode aumentar a sobrecarga sobre músculos, tendões e nervos”, explica.
Formigamento nos dedos pode indicar compressão de um nervo
Sabe quando o dedo mínimo começa a formigar sem motivo aparente? Esse sintoma pode estar relacionado à síndrome do túnel cubital, condição que envolve a compressão do nervo ulnar, localizado na região interna do cotovelo.
Uma pesquisa publicada em março de 2026 reforçou a importância da postura. Entre os pacientes diagnosticados com a condição, 82% utilizavam o smartphone com o cotovelo dobrado. No grupo sem o diagnóstico, o percentual foi de 56%.
O resultado sugere que a posição do braço merece tanta atenção quanto o tempo de tela, embora não comprove que o hábito provoque a doença.
“O paciente muitas vezes percebe primeiro aquele formigamento no dedo mínimo ou no anelar e acaba ignorando”, alerta Rodrigo.
Além da dormência, a compressão nervosa pode provocar dificuldade para segurar objetos e perda de força. Quando os sintomas aparecem repetidamente, principalmente à noite, o especialista recomenda procurar avaliação médica.
Celular – Créditos: (depositphotos.com / HayDmitriy)
Pequenas mudanças ajudam a reduzir a sobrecarga
A boa notícia é que alguns cuidados simples podem tornar o uso do celular mais confortável. Segundo Rodrigo, o segredo está em variar os movimentos e evitar que braços e punhos permaneçam na mesma posição por períodos prolongados.
Entre as recomendações do ortopedista estão:
Fazer pausas ao utilizar o aparelho por muito tempo;
Alternar as mãos e mudar a posição dos braços;
Evitar manter os cotovelos excessivamente dobrados;
Não apoiar continuamente os cotovelos em superfícies rígidas;
Observar episódios de formigamento, dormência ou perda de força.
Quando a dor nas mãos acompanha alterações de sensibilidade ou força, a avaliação médica ajuda a identificar a origem do desconforto. O tratamento pode envolver mudanças de hábitos, fisioterapia e, em situações específicas, cirurgia.
Por isso, vale prestar atenção ao corpo enquanto navega pelas redes sociais ou conversa pelo WhatsApp. Afinal, prevenir problemas associados ao uso do celular não exige abandonar a tecnologia, mas encontrar maneiras mais confortáveis de utilizá-la.
Resumo:
Aquele formigamento que aparece nos dedos depois de passar algum tempo no celular pode não ser tão inofensivo. Pequenos hábitos da rotina merecem atenção, principalmente quando o desconforto começa a se repetir.
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