A atriz e cantora Lua Blanco morreu aos 39 anos em decorrência de um câncer de intestino descoberto já em fase avançada. Amigos contaram que ela recebeu o diagnóstico cerca de três meses antes e que tratou a doença em sigilo por aproximadamente dois meses, dividindo as informações sobre a saúde apenas com um grupo pequeno de pessoas.
O tratamento foi feito no Instituto Nacional de Câncer (Inca), com quimioterapia e cirurgia. Depois da operação, Lua passou a usar bolsa de colostomia, recurso necessário quando a cirurgia exige desviar o trânsito intestinal, e o quadro piorou bastante na última semana de vida.
Pólipos estão na origem do tumor
O câncer de intestino costuma começar sem alarde, a partir de pólipos, pequenas lesões benignas na parede do órgão. Quando ninguém encontra e retira essas lesões a tempo, elas têm chance de se transformar em tumores no cólon e no reto. Daí o peso dos exames de rastreamento, feitos antes de qualquer queixa.
Câncer de intestino que matou Lua Blanco aos 39 anos pode crescer em silêncio; veja os sinais (Foto: Magnific)
Os sinais mais citados incluem sangue nas fezes, intestino com hábito alterado durante mais de um mês, dores na barriga e perda de peso sem motivo aparente. Em uma pesquisa nacional, oito em cada dez entrevistados disseram considerar grave perceber sangue nas fezes ou uma alteração intestinal prolongada. Mesmo assim, parte dessas pessoas adia a ida ao médico.
O exame de fezes que pouca gente conhece
A pesquisa de sangue oculto nas fezes está entre as principais ferramentas para flagrar a doença antes dos primeiros sinais, mas segue pouco conhecida. Um levantamento do A.C.Camargo Cancer Center, realizado pela Nexus, mostrou que 67% dos entrevistados nunca tinham ouvido falar do teste e que só 11% já tinham feito o exame.
O Ministério da Saúde anunciou o Teste Imunoquímico Fecal, conhecido pela sigla FIT, como exame de referência no SUS para identificar alterações antes dos sintomas. O protocolo nacional tem como público pessoas de 50 a 75 anos, de ambos os sexos e sem sintomas, com a meta de levar a prevenção a mais de 40 milhões de brasileiros.
O FIT usa anticorpos específicos para detectar quantidades mínimas de sangue nas fezes. A coleta é feita em casa, sem dieta especial nem preparo do intestino, e o material segue para análise. Se o resultado indicar sangue, a pessoa é encaminhada para a colonoscopia. A sensibilidade do teste para apontar alterações fica entre 85% e 92%, e a ideia é ampliar o alcance da triagem na população e diminuir o número de casos descobertos tarde.
A idade para começar o rastreamento
A orientação médica é iniciar os exames aos 45 anos, mesmo sem sintomas. A colonoscopia é considerada o principal exame de diagnóstico, porque permite enxergar o interior do intestino e remover os pólipos antes que virem tumor.
Samuel Aguiar, líder do Centro de Referência de Tumores Colorretais do A.C.Camargo Cancer Center, destaca que descobrir a doença cedo está diretamente associado a índices de cura mais altos, o que dá ainda mais valor a exames simples.
Prato e estilo de vida pesam no risco
Em torno de 70% dos casos de câncer colorretal têm relação com fatores ambientais, como alimentação, sedentarismo, cigarro e excesso de álcool. Mudar esses hábitos ajuda a evitar uma parte considerável dos casos.
Uma alimentação com mais alimentos naturais e minimamente processados entra na lista de proteção. O cardápio interfere na microbiota, a comunidade de bactérias que vive no intestino, e quando ela sai do equilíbrio, situação chamada de disbiose, contribui para doenças como obesidade, diabetes e câncer colorretal.
Um relatório do World Cancer Research Fund e do American Institute for Cancer Research associa o excesso de carne processada e de carne vermelha a um risco maior. A recomendação dos especialistas é moderar a quantidade de carne vermelha, sem precisar bani-la, e preferir o cozimento aos preparos em temperatura muito alta.
As fibras funcionam como escudo: melhoram o funcionamento do intestino e encurtam o tempo de contato do órgão com substâncias que elevam o risco. Para adultos saudáveis, a meta é de 30 g por dia, com boa hidratação para garantir o efeito. Uma meta-análise indica que chegar a 90 g diárias reduziria o risco de câncer colorretal entre 12% e 17%. Para chegar lá, entram no prato frutas, verduras, legumes, feijões e outras leguminosas, grãos integrais, nozes e sementes.
Manter o peso saudável completa a prevenção. Obesidade e sobrepeso estão associados a inflamação crônica e alterações no metabolismo, fatores que, somados à alimentação e à microbiota, influenciam o desenvolvimento do tumor ao longo dos anos.
Resumo: A atriz Lua Blanco morreu aos 39 anos de um câncer de intestino diagnosticado em estágio avançado. A doença começa em pólipos que podem ser retirados antes de virar tumor, e exames como o FIT, adotado no SUS, e a colonoscopia, indicada a partir dos 45 anos, ajudam a encontrar alterações cedo.
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