Conforme noticiado pelo Olhar Digital, a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (NOAA) confirmou, nesta quinta-feira (11), a chegada do El Niño. O fenômeno natural ocorre no Oceano Pacífico e tem potencial para elevar as temperaturas globais e intensificar eventos climáticos extremos em várias regiões do planeta.
Algumas projeções indicam que esse pode não ser um El Niño comum, mas um evento forte ou até muito forte, chamado de “Super El Niño”. O termo não é oficial, mas é usado para destacar episódios de grande intensidade e impacto climático global.
El Niño de 1997-98 provocou secas severas, incêndios florestais e eventos climáticos extremos em diferentes regiões do planeta – Crédito: Toa55 / Shutterstock
O climatologista Carlos Nobre, doutor em Meteorologia pelo Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), nos EUA, e referência internacional em mudanças climáticas, afirma que modelos já apontam forte sinal de desenvolvimento do fenômeno. Segundo ele, há aquecimento consistente no Pacífico Equatorial, região central para o monitoramento do El Niño.
De acordo com Nobre, a temperatura da superfície do mar no Pacífico central e leste já aumentou de cerca de 0,5°C para 0,7°C acima da média em junho. Ele destaca que essa variação é suficiente para indicar evolução do sistema climático.
Como o fenômeno funciona
O El Niño acontece quando as águas superficiais do Pacífico tropical ficam mais quentes do que o normal. Em condições habituais, ventos alísios empurram essas águas para o oeste. Quando esses ventos enfraquecem, o calor se desloca para o centro e leste do oceano.
Esse movimento altera a circulação da atmosfera e influencia o clima em diferentes partes do mundo. O fenômeno não tem um padrão fixo, e seus efeitos variam conforme intensidade, duração e época do ano.
Carlos Nobre alerta que há alta probabilidade de um dos El Niños mais intensos já registrados, exigindo preparação para seus impactos. – Crédito: Divulgação / IEA
Nobre explica que a NOAA, a OMM e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) – que utiliza o Modelo Brasileiro do Sistema Terrestre (BESM) – indicam que o atual evento está em fase de intensificação.
Ele ressalta que a probabilidade de o fenômeno atingir força forte ou muito forte entre setembro e novembro é de cerca de 96%. Por isso, cientistas acompanham o cenário com atenção.
O que é um “Super El Niño”
O chamado “Super El Niño” não é uma categoria científica oficial, mas uma expressão usada quando o fenômeno atinge intensidade excepcional. Nesses casos, o aquecimento do Pacífico é mais intenso e gera impactos climáticos mais amplos e severos.
Segundo especialistas, esses eventos tendem a afetar simultaneamente diferentes regiões do planeta, alterando padrões de chuva, aumentando secas e intensificando ondas de calor.
Nobre explica que o aquecimento global contribui para ampliar a intensidade do fenômeno. “Quando o El Niño ocorre em um oceano mais quente, ele tende a ser mais forte”.
Ele acrescenta que eventos extremamente fortes, que antes eram raros e ocorriam a cada 20 ou 30 anos, podem agora acontecer com maior frequência, possivelmente mais de uma vez por década.
O El Niño tem efeitos diferentes em cada região do Brasil. – Crédito: Imagem gerada por IA/Gemini
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El Niño em um planeta mais quente
Mesmo com avanços tecnológicos, prever a intensidade exata do El Niño com muitos meses de antecedência ainda é difícil. Pequenas mudanças nos ventos ou na temperatura do oceano podem alterar o comportamento do fenômeno.
Os cientistas destacam que o pico do El Niño costuma ocorrer entre o meio e o fim do ano, o que aumenta a complexidade das projeções de longo prazo.
Apesar disso, há consenso de que o cenário atual exige atenção. Nobre afirma que os sinais observados nos modelos climáticos são consistentes e indicam possibilidade de um evento forte.
O aquecimento global é considerado um fator central na intensificação do fenômeno. Com oceanos mais quentes, o El Niño ganha mais energia e pode gerar impactos mais intensos e amplos.
Nobre explica que isso altera a frequência dos eventos extremos. Fenômenos que antes eram raros agora podem ocorrer com maior regularidade. Segundo ele, a combinação entre oceanos mais quentes e atmosfera mais carregada de umidade aumenta a probabilidade de chuvas intensas em algumas regiões e secas prolongadas em outras.
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