Um artigo publicado nesta quarta-feira (15) na revista Nature apresenta novas evidências de que Marte pode ter abrigado um grande oceano no passado, com características semelhantes às encontradas em plataformas continentais na Terra.
Desde as primeiras observações detalhadas, cientistas já identificaram sinais de antigos rios e lagos no Planeta Vermelho. O hemisfério norte, mais baixo e com menos crateras que o sul, reforçava a hipótese da existência de um oceano. Ainda assim, as tentativas de localizar antigas linhas costeiras sempre geraram dúvidas.
Isso porque essas possíveis linhas de costa apresentam diferenças de altitude de quilômetros, algo difícil de explicar. Além disso, na Terra, as linhas costeiras mudam com frequência ao longo do tempo, o que levou pesquisadores a questionar se esse seria um bom indicador da presença de oceanos antigos.
Diante dessas limitações, o novo estudo propõe uma abordagem diferente: em vez de buscar antigas praias, os cientistas passaram a procurar por plataformas continentais. Essas áreas ficam submersas, são amplas e têm relevo suave antes de uma queda mais acentuada rumo ao fundo oceânico.
A plataforma costeira proposta para Marte – Crédito: Caltech
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Plataforma costeira de Marte é semelhante às da Terra
Ao comparar dados da Terra com informações de Marte, os pesquisadores encontraram regiões com baixa inclinação e curvatura, características típicas dessas plataformas. Nessas áreas, também há indícios de depósitos sedimentares, deltas e antigos canais de rios.
Segundo os autores, essa combinação de elementos sugere a presença de um oceano estável, que pode ter existido por milhões de anos. Como Marte não possui placas tectônicas, a estrutura foi chamada de “plataforma costeira”, mas funciona de forma semelhante às da Terra.
A descoberta também abre novas possibilidades na busca por sinais de vida antiga. Essas regiões podem ter preservado vestígios de ambientes habitáveis, tornando-se alvos promissores para futuras missões.
Os pesquisadores destacam que, ao procurar oceanos em outros planetas, o mais eficaz é identificar plataformas continentais, já que linhas costeiras são instáveis e pouco confiáveis como evidência geológica.
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