Chaves de acesso podem proteger mais que SMS e autenticação em duas etapas

As chaves de acesso estão prestes a ganhar ainda mais espaço na segurança digital. O Centro Nacional de Segurança Cibernética do Reino Unido (NCSC) anunciou que passará a recomendar esse método sempre que ele estiver disponível em sites e aplicativos.

A decisão foi divulgada durante a CYBERUK 2026, em Glasgow, após uma avaliação que apontou as chaves de acesso como uma alternativa mais segura aos métodos tradicionais de autenticação.

Senhas, SMS e códigos por e-mail ainda são populares, mas podem ser mais vulneráveis a golpes. Imagem: Renata Mendes via Dall-E 3 / Olhar Digital

Por que as chaves de acesso ganharam destaque?

A mudança não aconteceu da noite para o dia. A recomendação é resultado de pesquisas técnicas e sociotécnicas, além de discussões com desenvolvedores, fornecedores de tecnologia, operadores de sites e a FIDO Alliance.

O processo envolveu uma análise detalhada de como diferentes métodos de autenticação se comportam ao longo do ciclo de vida das credenciais, desde a criação e o armazenamento até o uso, a sincronização, a recuperação e a revogação.

O foco esteve nos ataques mais comuns enfrentados pelos usuários atualmente, incluindo phishing, reutilização de credenciais e sequestro de sessão.

No fim da avaliação, as credenciais FIDO2, grupo que inclui as chaves de acesso, saíram na frente. Segundo o estudo, elas oferecem proteção igual ou superior à autenticação multifator (MFA) e à verificação em duas etapas (2SV) tradicionais contra os principais ataques observados na prática.

Ataques de phishing continuam entre as maiores ameaças digitais. A chave de acesso surge como uma barreira extra. Imagem: SuPatMaN/Shutterstock

O que torna esse sistema mais seguro?

A análise concluiu que todos os métodos tradicionais de MFA permanecem vulneráveis a ataques de phishing, inclusive soluções amplamente utilizadas pelos usuários.

Entre os métodos citados estão:

Códigos enviados por SMS

Códigos enviados por e-mail

Senhas temporárias geradas por aplicativos ou tokens físicos

Aprovações por notificações push

Já as chaves de acesso utilizam credenciais FIDO2, que eliminam a possibilidade de reutilização ou retransmissão simples das credenciais por criminosos. Na prática, isso torna improváveis os ataques em larga escala contra implementações corretas desse sistema.

Outro ponto destacado pelo relatório é que, quando há verificação do usuário durante o login, as credenciais FIDO2 funcionam como autenticação multifator. Nesse cenário, o sistema combina algo que o usuário possui, como a chave criptográfica, com algo que ele sabe ou é, como o método utilizado para desbloquear o dispositivo.

O objetivo da chave de acesso é simples: dificultar a vida de criminosos que tentam roubar credenciais de acesso. Imagem: Ohayo style/Shutterstock

Dúvidas comuns sobre as chaves de acesso

Uma das preocupações mais frequentes envolve a sincronização entre dispositivos. O documento afirma que essa funcionalidade não representa necessariamente um risco novo, já que muitos usuários utilizam recursos semelhantes em gerenciadores de senhas, serviços de e-mail e aplicativos de autenticação.

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A eficácia da MFA tradicional também costuma gerar questionamentos. O estudo reconhece que ela continua sendo uma camada importante de proteção, mas ressalta que permanece vulnerável a golpes de phishing, já que códigos e aprovações podem ser interceptados durante uma sessão ativa.

As chaves de acesso, por outro lado, vinculam criptograficamente a autenticação ao serviço legítimo, impedindo esse tipo de exploração.

A recomendação do NCSC acompanha um movimento crescente de adoção das chaves de acesso em serviços digitais. Quando um serviço oferece suporte a essa tecnologia, a orientação é utilizá-la. Nos casos em que isso não é possível, a verificação em duas etapas continua sendo uma alternativa importante para reforçar a segurança online.

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