Como é o barco-drone que fez resgate no Estreito de Ormuz

Na terça-feira (9), a Marinha estadunidense empregou um barco-drone controlado remotamente da empresa de defesa Saronic para resgatar a tripulação de um helicóptero Apache atingido próximo ao Estreito de Ormuz.

O resgate foi conduzido pelo Corsair, uma embarcação não tripulada de 7,3 m da Saronic, marcando um dos primeiros testes das capacidades de resgate da força em um cenário de combate real.

Cinco fatos importantes sobre o barco-drone

Empresa fundada por ex-Navy SEAL preocupado com a competição chinesa

Em 2023, os Estados Unidos foram responsáveis por menos de 1% da construção naval mundial, enquanto a China representou mais de 50%, segundo dados das Nações Unidas.

Em 2022, o CEO, Dino Mavrookas, que passou mais de uma década na unidade de comandos de elite Navy SEAL, cofundou a Saronic junto com Rob Lehman, Vibhav Altekar e Doug Lambert.

Eles se propuseram a desenvolver embarcações autônomas com o objetivo de aumentar a capacidade de construção naval estadunidense e “redefinir a superioridade marítima” usando autonomia. Em dezembro passado, a Saronic garantiu um contrato de US$ 392 milhões (R$ 2 bilhões) com a Marinha.

Três embarcações principais, todas com operação autônoma

O barco-drone empregado no resgate de terça-feira foi o Corsair da Saronic, uma embarcação de 7,3 m com velocidade máxima superior a 35 nós e alcance de mais de mil milhas náuticas. Suas outras duas principais embarcações são o Mirage, de 15,8 m, e o Marauder, de 54,8 m. Todas as três são movidas a diesel.

Especificações do Saronic Corsair:

Comprimento: 7,3 m;

Velocidade máxima: 35 nós;

Alcance: mais de 1,8 mil quilômetros;

Carga útil: 453,5 kg.

A empresa também possui embarcações menores, algumas das quais são elétricas. Todas são totalmente modulares e podem processar dados de forma autônoma. Um único operador pode controlar até 100 embarcações simultaneamente.

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Investimento bilionário de grandes fundos de defesa

A Saronic está atualmente avaliada em US$ 9,2 bilhões (R$ 47,3 bilhões), com investidores proeminentes, incluindo 8VC de Joe Lonsdale, Caffeinated Capital e Andreessen Horowitz. A empresa levantou US$ 1,75 bilhão (R$ 8,9 bilhões) em uma recente rodada de financiamento.

O financiamento de capital de risco para tecnologia de defesa disparou em 2025, com valores de rodadas triplicando desde 2020 para alcançar US$ 29 bilhões (R$ 148,4 bilhões), segundo dados da S&P Global Market Intelligence.

A Saronic construiu seu primeiro protótipo em menos de seis meses, modificando uma balsa da Amazon de US$ 800 (R$ 4.093,20) com US$ 30 mil (R$ 153,5 mil) em câmeras, sensores e baterias. Atualmente, emprega 1,6 mil pessoas em sua sede em Austin, Texas (EUA), e instalações nos EUA, Reino Unido e Austrália.

A empresa tem capacidade para construir milhares de embarcações Corsair e Mirage por ano em sua instalação de 46.451,52 m² no Texas. Recentemente, projetou e lançou sua primeira embarcação Marauder em menos de um ano e a produzirá em um estaleiro na Louisiana (EUA), no qual investiu US$ 300 milhões (R$ 1,5 bilhão) para expansão.

Visão de substituir humanos em cenários perigosos

A empresa ganhou manchetes esta semana por resgatar pilotos abatidos, mas seu objetivo maior é manter militares fora de perigo desde o início. “Não devemos mais enviar pessoas se tivermos a oportunidade de enviar um robô”, disse Mavrookas ao The Wall Street Journal. “Temos a responsabilidade de manter as pessoas seguras.”

A Saronic juntou-se à Força-Tarefa 59, a primeira unidade operacional de inteligência artificial (IA) e drones da Marinha, em março. A operação de terça-feira representa um marco no desenvolvimento da frota não tripulada estadunidense.

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