Menopausa também aparece na pele: os sinais que muitas mulheres não reconhecem

Há mulheres que chegam à menopausa preparadas para os calorões, alterações no sono e mudanças de humor, mas se surpreendem quando a pele começa a mudar.
De repente, o hidratante de sempre parece não funcionar, surge uma coceira sem causa aparente ou aquela sensação incômoda de “pinicação” e formigamento.
Essas queixas não são apenas impressão.
A queda do estrogênio característica dessa fase interfere diretamente na estrutura e no funcionamento da pele.
Estudos mostram redução da hidratação, da espessura e da elasticidade, além de uma perda mais acelerada de colágeno nos primeiros anos após a menopausa.
O estrogênio participa de mecanismos importantes para a manutenção do colágeno e da barreira cutânea.
Quando seus níveis diminuem, a pele tende a ficar mais fina, seca e vulnerável a irritações. Coceira, sensibilidade e ressecamento podem aparecer ou se intensificar, e algumas mulheres também percebem mudanças nos cabelos, acne e alterações de pigmentação.
Por isso, nem toda mudança deve ser encarada simplesmente como “coisa da idade”.

Quando há coceira persistente, lesões, vermelhidão, descamação ou qualquer alteração que não melhora, é importante procurar avaliação médica.
A menopausa pode explicar parte dos sintomas, mas não deve servir para normalizar tudo o que aparece na pele.

E a reposição hormonal?

Esse é um ponto que merece cuidado. A terapia hormonal pode melhorar sintomas da menopausa e há estudos mostrando benefícios também sobre hidratação, espessura e colágeno da pele.
Isso, porém, não significa que uma mulher deva iniciar reposição hormonal para tratar rugas ou flacidez.
A indicação precisa ser individualizada e considerar idade, sintomas, tempo desde o início da menopausa, histórico pessoal e familiar e fatores de risco.
No Outubro Rosa, essa conversa se torna ainda mais relevante.
O risco relacionado à terapia hormonal não é igual para todas as mulheres nem para todos os esquemas de tratamento.
Mulheres com histórico de câncer de mama, por exemplo, precisam de avaliação específica, e a terapia hormonal sistêmica geralmente não é indicada nesses casos.
Histórico de trombose, algumas doenças cardiovasculares, doença hepática, sangramento uterino sem explicação e determinados cânceres também precisam ser considerados antes de qualquer prescrição.
É justamente por isso que não existe uma resposta única para a pergunta: “posso fazer reposição hormonal?”.
Essa decisão deve ser compartilhada com o médico após uma avaliação completa de benefícios e riscos.

A pele também precisa de uma nova rotina

Independentemente da indicação de terapia hormonal, há muito que pode ser feito pela pele nessa fase.
Hidratação adequada, limpeza suave, proteção solar diária e ativos escolhidos de acordo com as necessidades individuais ajudam a preservar a barreira cutânea e a qualidade da pele.
A menopausa não significa que a mulher precisa travar uma batalha contra o envelhecimento.
Significa compreender que o corpo entrou em uma nova fase e que os cuidados também podem mudar.
Reconhecer esses sinais, buscar orientação e fazer escolhas seguras é uma forma de atravessar essa transição com mais saúde e com uma relação muito mais gentil com a própria pele.